Caminhada pede anulação de júri que “aliviou” pena de homem que matou esposa
Manifestação acontece na manhã deste domingo, 8, a partir das 8h30, em frente ao Ministério Público, em Garibaldi.
O silêncio da manhã deste domingo (08) em Garibaldi será rompido por um grito de dor e indignação. A partir das 8h30min, familiares e amigos de Eleci Rejane Faleiro realizam uma caminhada pedindo justiça pela morte da mulher de 38 anos, assassinada em julho de 2025.
A concentração ocorre em frente à sede do Ministério Público (Rua Treze de Maio, 150) e seguirá até o Cemitério Municipal. O ato, liderado pela filha da vítima, Larissa da Rosa, pede a anulação do júri popular realizado em janeiro, cujo resultado chocou a comunidade.
Uma luta pela vida interrompida pela brutalidade
Eleci não foi apenas uma estatística. Nas palavras da filha mais velha, Larissa da Rosa, ela era uma mulher "determinada, batalhadora e justa". Sua vida foi ceifada em 29 de julho de 2025, um dia após ter tido a coragem de pedir a separação.
O relato do crime é de um horror que as palavras mal conseguem descrever. Eleci tentou se proteger no banheiro, trancando a porta contra o homem com quem dividiu sete anos de vida. Adair Leonir Rommel arrombou a porta. Ali, iniciou-se uma luta desesperada. O laudo da necropsia revelou a crueldade do ato: duas vértebras fraturadas, uma veia estourada no pescoço e sinais de estrangulamento.
"Ela tentou se rastejar até a porta para fugir, mas ele continuou o que tinha começado. É nítido que ele teve a intenção de matar", desabafa Larissa, que hoje cuida da irmã caçula, fruto desse relacionamento trágico.
A Contradição Jurídica
No julgamento do dia 20 de janeiro, os jurados reconheceram que houve feminicídio, mas, em uma decisão considerada contraditória pela acusação, afastaram o dolo (a intenção de matar).
Na prática, o crime foi rebaixado para "lesão corporal seguida de morte". Com isso, o réu Adair Leonir Rommel (ex-companheiro da vítima) foi condenado a apenas 9 anos e 8 meses de prisão — uma pena que permite progressão para o regime aberto em pouco tempo.
"A gente saiu de lá crente que seria feita justiça. Mas ele foi frio o tempo todo... É nítido que ele teve a intenção de matar", desabafa Larissa.
O Ministério Público já recorreu da decisão, sustentando que "não existe feminicídio sem intenção de matar".
Relembre o Caso
Eleci foi morta em 29 de julho de 2025, um dia após pedir a separação. Ela tentou se trancar no banheiro para fugir de Adair, que arrombou a porta. O laudo da necropsia apontou sinais brutais de violência: duas vértebras fraturadas, veia estourada e estrangulamento.
Corrente Branca
A organização pede que a comunidade participe vestindo camisetas brancas, simbolizando a paz e o pedido por justiça. O ato busca não apenas honrar a memória de Eleci, mas protestar contra a violência de gênero e a sensação de impunidade.
Fonte NB














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