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Quarta-feira, 05/08/2026

Supermercados ampliam disputa pelo consumidor em cenário de mudanças no consumo

Diretor da Companhia Apolo de Supermercados, Antônio Cesa Longo, palestrou no Conecta Alimentos e Bebidas Move+, em Caxias

05/08/2026
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As mudanças de comportamento do consumidor estão transformando, também, o setor supermercadista. Mesmo para um segmento que faturou R$ 75,6 bilhões no Rio Grande do Sul em 2025 – crescimento nominal de 8,38% e real de 4,12% –, o cenário exige atenção diante do aumento da entrada de novos canais na disputa pelo consumidor. Um fator que, segundo o Diretor da Companhia Apolo de Supermercados e vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Antônio Cesa Longo, vem acompanhado de dificuldades de mão de obra, complexidade tributária, instabilidade política, crédito caro e redução do poder de compra das famílias. Essa leitura foi apresentada nesta terça-feira (4) em Caxias do Sul, durante a realização do Conecta Alimentos e Bebidas Move +, evento do Sebrae RS no qual participaram, também, 26 empresas do setor, conectando indústria, varejo, food service e demais agentes do setor.

Um dos principais desafios, segundo ele, é justamente a ampliação da concorrência. Supermercados passaram a disputar espaço com farmácias, comércio eletrônico e marketplaces, que cada vez mais comercializam produtos tradicionalmente associados às lojas físicas. “Há uma concorrência crescente dos e-commerces, das farmácias, que hoje vendem até remédio, tem o Mercado Livre”, enumerou Longo, em painel dividido com Roger Klafer, coordenador estadual de projetos de Alimentos e Bebidas do Sebrae RS, e Vicente Perini, presidente do Segh Uva e Vinho.

A disputa ocorre em um mercado que também exige renovação constante. Conforme Longo, um supermercado médio trabalha com cerca de 12 mil itens em seu portfólio e, a cada mês, aproximadamente 5% desse universo é substituído por novidades. Para a indústria, portanto, não basta apenas desenvolver produtos: é necessário encontrar formas de se diferenciar e construir relacionamento com o varejo. “Tem empresas que fazem produtos bem similares uns aos outros. Então, como é que tu vais te diferenciar? É por preço, por relacionamento?”, provocou.

 A transformação do setor passa pelo comportamento do consumidor. O endividamento das famílias e a menor disponibilidade de renda tornam o cliente mais atento ao preço e às prioridades. Ao mesmo tempo, mudanças nos hábitos abrem espaço para novas oportunidades. As tendências apontam para uma preocupação maior com saúde, longevidade e bem-estar, menor propensão ao consumo de álcool e maior procura por proteínas. O consumidor, entretanto, precisa equilibrar essas novas prioridades com um orçamento pressionado.

Conforme números da Abras apresentados pelo palestrante, o endividamento atinge 80% das famílias, com 30% em situação de inadimplência. A destinação de renda para outros segmentos também entra nessa equação. O mercado de bets, por exemplo, movimenta mais de R$ 37 bilhões no Brasil e reúne mais de 25 milhões de brasileiros cadastrados. “Nesse cenário, entender o momento de consumo é fundamental para o varejo. O comportamento muda conforme o período do ano, as despesas das famílias e os preços dos produtos”, comentou..

Para ele, a concorrência cada vez maior e a quantidade de produtos semelhantes em diferentes canais tornam a experiência de compra ainda mais importante. E isso precisa ser aproveitado, uma vez que 4 milhões de gaúchos vão aos supermercados diariamente. “É preciso estar atento aos detalhes e ao atendimento, transformando cada contato com o consumidor em uma oportunidade. Cada um que tu atendes, cada fornada de pão que tu vendes por dia, é uma responsabilidade”, observou Longo.