
A preservação da memória e do patrimônio cultural da Serra Gaúcha ganha um reforço estratégico com a entrega de um novo sistema de segurança para acervos históricos. Por meio do projeto Laços e Pontos nos Vales, coordenado por Sandro Giordani, o Museu do Imigrante recebeu a doação de um Kit de Salvamento Emergencial, ferramenta projetada para garantir a integridade de documentos e objetos em situações de crise. Esta iniciativa, que reforça o compromisso com a salvaguarda histórica, integra as ações do projeto cultural viabilizado através da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) pelo Circolo Trentino di Bento Gonçalves.
O material foi desenvolvido pela historiadora e especialista em conservação e restauro de acervos bidimensionais, Angela Maria Marini, que atualmente preside a Associação Amigos do Museu. Além do kit físico, o projeto também entregou um Plano de Prevenção e Ação para Desastres Climáticos e um Relatório de Acessibilidade. É importante destacar que esses documentos foram criados especificamente para o Ponto de Cultura, servindo como guias técnicos fundamentais que serão disponibilizados para todas as instituições da região nos próximos anos. Este modelo de acessibilidade da informação também será implantado em maior escala, ampliando o alcance do conhecimento técnico produzido.
A iniciativa surgiu da necessidade latente de planejamento após as enchentes de 2024, que resultaram em perdas irreparáveis de acervos em diversas instituições que careciam de protocolos de emergência. O manual desenvolvido por Angela Maria Marini prioriza instruções diretas sobre como proceder em casos de sinistros, como destelhamentos, incêndios ou alagamentos, com foco na resposta prática imediata.
O Kit de Salvamento consiste em um contêiner móvel equipado com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), instruções técnicas de manuseio e materiais para transporte rápido. Essa estrutura funciona como uma unidade de armazenamento e logística emergencial, recurso essencial para o Museu do Imigrante, que abriga um acervo de aproximadamente 60 mil itens. Além da proteção física, o projeto promoveu oficinas colaborativas, incluindo uma atividade sobre resgate de acervos ministrada por Julia Pasquali, com o objetivo de debater estratégias de acessibilidade e segurança nos espaços museológicos.
O objetivo central da iniciativa é estabelecer protocolos que transcendam o uso individual, servindo como modelo para a criação de uma rede de proteção mútua na região. Com a capacitação de profissionais e o uso de ferramentas adequadas, a meta é assegurar que o patrimônio histórico regional permaneça preservado para as futuras gerações, garantindo a resiliência da memória local diante de imprevistos climáticos.